O zagueiro que Scaloni pede para não avançar — e vai mesmo assim
Zagueiro que Scaloni pede para não avançar — e avança mesmo assim — é peça decisiva da Argentina na Copa do Mundo 2026.

Tem um jogador na Argentina que desobedece o técnico — e Scaloni agradece por isso.
Cristian Romero não é apenas o líder do sistema defensivo campeão do mundo. É o personagem que encarna tudo que o futebol argentino sempre cultuou: raça, agressividade, resiliência e aquela pitada de loucura controlada que separa os grandes dos muito bons.
Titular desde 2021, quando Scaloni começou a montar a Scaloneta que virou máquina de títulos, Romero foi decisivo em dois confrontos do mata-mata nesta Copa do Mundo. Mas a história que define o zagueiro aconteceu antes, num amistoso contra o Equador em junho de 2024, às vésperas da Copa América. Ele ganhou uma dividida pelo alto, saiu em disparada do meio de campo e, de costas para o goleiro, ajeitou com precisão para o gol de Di María. Argentina 1 a 0, jogo resolvido.
Scaloni, depois da partida, resumiu o personagem melhor do que qualquer análise tática poderia: "Às vezes dizemos para não avançar, mas vai mesmo assim", disse o treinador, acrescentando que no banco a comissão técnica frequentemente leva as mãos à cabeça ao ver o espaço que Romero deixa nas costas — mas que a intuição do zagueiro quase sempre prevalece.
Dois anos depois, pouca coisa mudou. E a Argentina agradece.
O modelo da Golmetria coloca a seleção argentina com 32,9% de chance de conquistar o título — maior probabilidade entre todos os países no torneio. Com Messi decidindo quando o jogo aperta e Romero incendiando o grupo quando a equipe precisa de alma, a Argentina chega à fase final com a estrutura de quem já sabe como se ganha Copa do Mundo.
A questão é: até onde essa dupla liderança — a genialidade de um e a transgressão calculada do outro — vai levar a Argentina desta vez?