Por que Olise entrou na conversa da Bola de Ouro — e por que o próprio grupo da França freia o entusiasmo
Com 5 assistências na Copa, Olise já é comparado a Zidane e Platini. Mas o auxiliar da França pede calma — e o jogador, como sempre, não diz nada.

Patrick Vieira não teve dúvida: "Tivemos Michel Platini, tivemos Zinedine Zidane, agora temos Michael Olise", disse o campeão de 1998 ao canal ITV Football. É muita coisa para um jogador que ainda está na fase de quartas de final da Copa do Mundo — mas os números de Olise justificam o barulho.
Com cinco assistências, ele lidera essa estatística no torneio. Mais uma, e iguala Pelé, que distribuiu seis passes para gol na Copa de 1970 — a melhor marca desde então. A chance de empatar com o Rei vem nesta quinta-feira, quando a França enfrenta Marrocos nas quartas, em Boston.
Dentro do grupo, porém, o entusiasmo é contido. Guy Stéphan, auxiliar de Deschamps, reconhece o talento, mas freia as comparações: "talvez seja um pouco precipitado compará-lo com nomes como Platini e Zidane", disse em coletiva. Ao mesmo tempo, pintou um retrato curioso do jogador: "Ele não é alguém que fala muito, seja em francês ou inglês", brincou o auxiliar, acrescentando que Olise é "introvertido, mas pode ser muito agradável" e tem "sensibilidade para o futebol".
A história de Olise tem camadas. Nascido em Londres, filho de pai nigeriano e mãe franco-argelina, ele tinha quatro seleções à disposição. Escolheu a França por afeto — viagens de infância ao país e a admiração por Zidane, Henry e Ribéry. Hoje, é justamente com Zidane que o comparam.
A França venceu todos os jogos até aqui neste Mundial, e o modelo da Golmetria dá 52,7% de chance de o time chegar à semifinal. Marrocos, adversário desta quinta, tem 10,2% nessa mesma etapa — mas já surpreendeu antes e sabe jogar eliminatórias.
Se Olise empatar Pelé em assistências, a pergunta de Vieira vai ganhar volume. O silêncio do próprio jogador, talvez, seja a resposta mais intrigante de todas.