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Antes de a bola rolar: o que o modelo da Golmetria projetou para a Copa 2026

Publicamos nossa projeção em 6 de junho, antes da estreia. As quatro seleções no topo da nossa estimativa foram exatamente as quatro semifinalistas — um lembrete de que um modelo não adivinha o futuro, apenas o quantifica.

Ilustração original da Golmetria: celebração vibrante de uma Copa do Mundo, torcida em cores de várias seleções e confete sob o sol; sem fotos reais, sem semelhança de pessoas reais e sem escudos ou marcas.

Todo modelo estatístico é, no fundo, uma estimativa cercada de incerteza. Ele não promete o futuro — atribui probabilidades a cada desfecho possível a partir da informação disponível. Por isso a pergunta honesta depois de um torneio não é "você cravou o campeão?", e sim "as suas probabilidades foram bem calibradas?".

Em 6 de junho, cinco dias antes da estreia, publicamos a projeção da Golmetria para a Copa do Mundo de 2026. Estas eram as quatro seleções no topo da nossa estimativa:

Posição projetadaSeleçãoProb. de títuloProb. de chegar à final
Espanha18,6%28,7%
Argentina13,4%22,2%
França9,5%16,6%
Inglaterra6,9%13,0%

O que aconteceu em campo: a Espanha foi campeã, a Argentina ficou com o vice, a Inglaterra terminou em terceiro e a França em quarto.

Ou seja: as quatro seleções que a nossa estimativa colocou no topo foram exatamente as quatro semifinalistas do torneio. Acertamos a campeã e a vice na ordem. A única diferença ficou entre o terceiro e o quarto lugar — o modelo via a França ligeiramente à frente da Inglaterra (9,5% contra 6,9% de probabilidade de título), e foi a Inglaterra que levou a melhor na decisão do terceiro lugar. Duas seleções praticamente empatadas na nossa estimativa, separadas por uma única partida: é justamente esse tipo de desfecho que a incerteza de um modelo bem calibrado antecipa. Não erramos as seleções; a moeda caiu do outro lado numa disputa que já projetávamos como equilibrada.

Como chegamos a isso

A projeção nasce de um modelo econométrico com algumas camadas. Primeiro, uma medida de força de cada seleção construída a partir de resultados reais e de gols esperados (xG) — não só quem venceu, mas como jogou —, ancorada também na qualidade do elenco. Dessa força derivamos a probabilidade de cada placar possível em cada confronto, com um ajuste (Dixon-Coles) que corrige a correlação típica dos placares baixos do futebol. Por fim, simulamos o torneio inteiro 20 mil vezes, respeitando o chaveamento, para transformar probabilidades de jogo em probabilidades de título, de final e de cada fase. O modelo é calibrado contra temporadas históricas, para que um "18%" signifique, de fato, algo próximo de 18%.

Nada disso é adivinhação. É estimativa — com margem de erro explícita. O valor não está em cravar um resultado, e sim em atribuir probabilidades honestas e deixá-las serem verificadas depois. Desta vez, elas se sustentaram bem. Acertar as quatro seleções do topo antes de uma bola rolar não é comum, justamente porque seleções de nível parecido se decidem em detalhes — e é por isso que ficamos satisfeitos, mas cautelosos: na próxima, o detalhe pode cair para o outro lado.

E agora?

O mesmo modelo, com a mesma metodologia, já está rodando sobre o Campeonato Brasileiro, que recomeça agora. As projeções para a Série A estão no nosso Índice, e vamos acompanhá-las rodada a rodada com a mesma régua: probabilidades transparentes, verificáveis depois. Fique de olho.