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Modelo de Nate Silver aponta França e Argentina favoritas — e Brasil subestimado

O guru americano da estatística estreou o PELE nesta Copa. O modelo põe França e Argentina no topo — e vê o hexa valendo mais do que o mercado paga.

O PELE, modelo de futebol que o estatístico americano Nate Silver — famoso pelas previsões eleitorais do FiveThirtyEight — estreou nesta Copa no Silver Bulletin, tem dois recados para o torneio. O primeiro: Argentina e França são as favoritas, com 26% e 24% de chance de título na tabela mais recente, bem à frente da Espanha (16%). O segundo interessa mais ao torcedor brasileiro: o mesmo modelo indica que o mercado está cobrando barato demais pelo hexa.

Na conta do PELE, alimentado por 100 mil simulações, o Brasil tem 10% de chance de título — quarta força do torneio, claramente à frente da Inglaterra, que fica em 6%.

O mercado discorda. No Polymarket, o maior mercado de previsões do mundo — quase US$ 3,8 bilhões negociados só no mercado de campeão —, o hexa era negociado na noite desta sexta-feira a 7%: quinto lugar, atrás até da Inglaterra. Três pontos percentuais separam o modelo de Silver do preço de mercado — e, no caso da Inglaterra, os dois invertem a ordem.

O modelo Golmetria fica do lado de Silver. Nossa atualização desta sexta dá ao Brasil 8% — também quarta maior probabilidade, atrás de Espanha (23%), Argentina (19%) e França (12%), também à frente dos ingleses. Dois modelos independentes, construídos com metodologias diferentes, chegando à mesma leitura: a Seleção vale mais do que o mercado paga.

Não é um viés isolado. Análises independentes que compararam os principais modelos desta Copa já haviam notado que o PELE avalia as seleções sul-americanas com mais generosidade do que sistemas rivais. E a régua vale para os dois lados: na França, é o mercado (33%) que está muito acima tanto do PELE (24%) quanto do Golmetria (12%).

A divergência sobre o Brasil tem prazo curto para ser testada. Domingo, contra a Noruega de Haaland, nas oitavas, o PELE dá 63% de classificação à Seleção — quase a mesma conta do Golmetria. Se o Brasil passar, os 8% a 10% dos modelos envelhecem melhor que os 7% do mercado. Se cair, o mercado cobrava o preço certo.

Análise, não garantia — em jogo único, probabilidade nenhuma decide nada.