Onze camarotes vazios, camisas verdes e uma Copa do Mundo que ainda não encheu as arquibancadas
De 14 camarotes disponíveis no AT&T Stadium, a Fifa vendeu apenas três. O que aconteceu nos bastidores do empate entre Holanda e Japão em Dallas.

Eram dez minutos de jogo quando um grupo de pessoas de camisa verde começou a ocupar os camarotes atrás do gol no AT&T Stadium, em Dallas. Não eram torcedores atrasados — eram voluntários da Copa do Mundo convocados às pressas para preencher espaços que a Fifa simplesmente não conseguiu vender.
Segundo o The Athletic, dos 14 camarotes disponíveis para o duelo entre Holanda e Japão, apenas três foram comercializados. Os outros onze ficaram vazios até a Fifa distribuir os ingressos como forma de agradecimento aos trabalhadores voluntários — ao menos foi essa a versão oficial da entidade, que horas depois postou um vídeo com a reação dos contemplados.
O problema tem explicação estrutural. O AT&T Stadium, casa do Dallas Cowboys na NFL, possui camarotes posicionados atrás dos gols e quase rente ao gramado. Para receber o futebol, o piso foi elevado em 1,20m — o que fez esses espaços ficarem praticamente no nível do campo. Resultado: a visão era bloqueada por câmeras, profissionais de imprensa e até pela própria rede do gol. Somado ao preço salgado, o pacote não convenceu.
No total, o jogo registrou 69.285 presentes — 1.364 assentos vazios, o maior número desta Copa até agora. A Fifa esperava lotação: Dallas é uma cidade apaixonada por esportes e o confronto era um dos mais aguardados da fase de grupos. O empate em 2 a 2, aliás, fez jus à expectativa dentro de campo, com uma segunda etapa de tirar o fôlego.
Não é a primeira vez que a questão das arquibancadas vira polêmica. O jogo entre Coreia do Sul e República Tcheca, em Guadalajara, também gerou questionamentos nas redes sobre lugares vazios — embora a Fifa tenha divulgado público próximo à capacidade máxima do estádio.
O modelo Golmetria ainda vê Holanda e Japão como os dois times com maior chance de avançar no Grupo F — 86% e 83%, respectivamente. Mas, fora de campo, a Copa de 2026 tem uma conta mais difícil de fechar: convencer o mundo de que as arquibancadas estão cheias de verdade.